STJ Decide que Locação por Temporada em Condomínios Pode Exigir Aprovação de 2/3 dos Proprietários
Entenda o que muda para investidores após a decisão do STJ sobre Airbnb em condomínios residenciais e saiba quais cuidados tomar antes de comprar um imóvel para locação por temporada.
5/29/20263 min read


STJ Decide: Locação por Temporada em Condomínios Pode Exigir Aprovação de 2/3 dos Proprietários
A locação por temporada em plataformas como Airbnb acaba de ganhar um novo capítulo importante no Brasil. Em maio de 2026, a Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu que condomínios residenciais podem exigir aprovação de pelo menos dois terços dos condôminos para autorizar imóveis destinados à hospedagem de curta duração.
A decisão trouxe impacto direto para investidores, proprietários e empresas que atuam com locação por temporada, especialmente em cidades como São Paulo, onde o mercado de studios e apartamentos compactos cresceu fortemente nos últimos anos.
O que o STJ decidiu?
O entendimento firmado pelo STJ foi de que a utilização recorrente de imóveis para hospedagem de curta duração pode descaracterizar a finalidade exclusivamente residencial do condomínio. Por isso, esse tipo de atividade dependeria de autorização formal dos condôminos.
Segundo a decisão:
a autorização deve ocorrer em assembleia;
o quórum necessário é de dois terços dos condôminos;
a aprovação é necessária para alterar a destinação do condomínio.
O tribunal baseou seu entendimento no artigo 1.351 do Código Civil, que exige quórum qualificado para mudanças de destinação em edifícios residenciais.
O Airbnb foi proibido?
Não.
A decisão não proíbe a locação por temporada no Brasil nem torna ilegal o Airbnb em condomínios residenciais. O que o STJ definiu é que os condomínios podem restringir esse tipo de uso quando não houver autorização específica na convenção ou aprovação em assembleia.
Na prática, isso significa que:
prédios que já permitem locação por temporada tendem a continuar operando normalmente;
condomínios com regras expressas de proibição podem ganhar mais respaldo jurídico;
investidores precisarão analisar ainda mais cuidadosamente a documentação do empreendimento antes da compra.
O que muda para investidores?
A decisão reforça um ponto que já vinha se tornando essencial no mercado: investir em locação por temporada exige análise jurídica e condominial prévia.
Hoje, antes de adquirir um imóvel com foco em Airbnb, é fundamental verificar:
convenção do condomínio;
regulamento interno;
histórico do prédio;
posicionamento do síndico;
existência de outros anúncios ativos no condomínio;
possibilidade de alteração futura das regras internas.
Além disso, empreendimentos novos já estão começando a deixar mais claro em seus materiais comerciais se aceitam ou não operações de curta temporada.
A decisão vale para todos os casos?
Embora o julgamento tenha uniformizado o entendimento do STJ sobre o tema, especialistas apontam que cada situação ainda pode depender:
da convenção do condomínio;
da forma como o imóvel é utilizado;
da frequência das hospedagens;
do perfil operacional da unidade.
Outro ponto importante é que o próprio STJ destacou que contratos intermediados por plataformas digitais possuem natureza “atípica”, ou seja, não se enquadram perfeitamente nem como locação tradicional nem como hotelaria.
Isso significa que o tema ainda deve continuar gerando debates jurídicos nos próximos anos.
O que fazer antes de investir?
Para reduzir riscos, o ideal é:
analisar toda a documentação do empreendimento;
verificar se o prédio já possui histórico consolidado de locação por temporada;
entender o posicionamento do condomínio;
consultar assessoria jurídica especializada;
confirmar se não há enquadramento HIS/HMP/HSP.
Mais do que nunca, investir em locação por temporada exige olhar não apenas para rentabilidade e localização, mas também para segurança jurídica e viabilidade operacional.
O mercado continua atrativo?
Sim — especialmente em bairros com alta demanda turística e corporativa, como Pinheiros, Vila Madalena e Jardins.
A diferença é que o mercado está se tornando mais profissional, exigindo planejamento, gestão especializada e análise mais criteriosa dos imóveis antes da aquisição.
Para investidores bem orientados, a locação por temporada continua sendo uma excelente oportunidade de geração de renda e valorização patrimonial.
